Porcos Comunistas

A Revolução dos Bichos – Animal Farm: A Fairy Story – De George Orwell de 1945 é considera como uma das mais importantes sátiras da história moderna e uma das mais árduas críticas ao totalitarismo. Usada como arma anticomunista, o roteiro é breve e simples para que pudesse ser lido por todos. Figura os mais diversos tipos de seres humanos, todos eles atribuídos as formas de animais falantes. Porém uma das polêmicas geradas por Orwell é o simples fato de o líder dos animais ser representado por um porco, e ser o espelho do império comunista desenvolvido por Stálin.

A história, que passa na fazenda Granja do Solar, começa com a reunião dos animais em torno do porco Major, que encoraja a todos a por um fim nas más condições de vida que o proprietário das terras Sr. Jones os condizia. Embora a economia russa ser praticamente urbana nos anos vésperes à Revolução Russa, o sistema de má condição do trabalhador é que recebe alertas do Major, que morre três dias depois.

George Orwell, pseudônimo de Eric Arthur Blair (1903 - 50)

A ideia de revolução, porém, continua viva, e os animais concluem os desejos póstumos do ex-líder. Agora encorajados por Bola-de-Neve e Napoleão, dois porcos de pensamentos antagônicos. As semelhanças ao sequencial da Revolução Russa começam a surgir no enredo. A vitória em outubro de 1917 dos Bolcheviques botava no cargo máximo Lênin, que criou o partido comunista e a centralização político-administrativa da Rússia. Porém não é a Lênin que Bola-de-Neve e Napoleão representam. São as figuras de Trotsy e Stálin, respectivamente, que cada porco se assemelha.

Bola-de-Neve lidera o exército dos animais contra o ataque Jones e outros fazendeiros, igualmente ao que Trotsky fez ao liderar o Exército Vermelho contra o Exército Branco representado pelos países que temiam a propagação do socialismo. Após a vitória o porco homenageia alguns combatentes da início aos mandamentos, algo parecido com uma constituição, do qual se baseava na igualdade (todos animais são iguais) e na superioridade dos animais perante os homens (quatro pernas bom, duas pernas ruim) e ainda proíbe os animais de ter costumes humanos, como dormir em camas, beber álcool e mexer com dinheiro.

Guarda Vermelha, outubro de 1917

A morte de Lênin foi o início da luta pelo poder entre Stálin e Trotsky, que acabou com exílio do criador do Exército Vermelho e seu assassinato em 1940 por intermédio de Stálin. O que se passou na Granja dos Animais, como começara a se chamar nos períodos pós-revolução, é parecido. Napoleão cria laços de amizade com os cachorros, que expulsam ferozmente Bola-de-Neve. A partir de então, Bola-de-Neve passa a ser considerado um inimigo do Estado, e qualquer tipo de envolvimento com tal figura enquadrava o cidadão no mesmo status.

A Era Stálin foi marcada pela ditadura pessoal e perseguição sistemática aos inimigos. A economia passava diretamente pelas mãos do Estado, e a população foi envolvida em metas ousadas de desenvolvimento, metamorfoseadas em moinho de vento na história de Orwell. Tudo o que era produzido era do Estado, pertencia ao Estado. Além disso, foi uma ditadura mitificada, da qual o líder era glorificado, a lavagem cerebral e o culto à personalidade foram os pontos altos da Rússia no período de Stálin.

O governo Stalin foi marcado pela forte opressão. Teve sua imagem cultuada ao longo do seu governo

A polícia agia de forma dura, foi uma época de medo. Os cachorros da Granja representavam isso, e todos os mandamentos foram modificados a fim de beneficiar Napoleão e os outros porcos. Os ditados mudaram, agora “Napoleão sempre tem razão”. E era fácil ter razão, pois lidava com um povo ignorante, que na maioria não sabia ler, um povo estático e de fácil manipulação. As modificações dos mandamentos, que permitiu até a morte de animais quando houvesse razão, eram todas atribuídas a um povo que tentava lembrar do passado, mas que ouvia as calorosas palavras de Napoleão e concluíam que Napoleão sempre tem razão. Não obstante, essa crítica social pode ser atribuída não somente a sociedade russa da época. É uma manifestação atemporal de George Orwell, que se atribui nas mais diversas sociedades antigas e contemporâneas.

A vida fácil dos porcos e dos cachorros contraposta a vida árdua dos animais restantes não era nenhum pouco parecida com aquela proposta e imaginada por Major. A promessa de que toda a produção serviria para o bem comum se tornou uma farsa, porém os animais nem sabiam quem era pior Jones ou Napoleão; o porco, porém, conseguia disfarçar seu bem-estar.

O regime de opressão e dogmático incitou o lema “Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que os outros”, mas nada podia fazer o povo que viu um antigo companheiro, árduo trabalhado, o cavalo Sansão ser levado para o matadouro quando se dizia que estava indo ao médico. Mais um cinismo do regime totalitário de Napoleão.

A grande crise do comunismo era simultânea a crise do capitalismo que ocorria nos Estados Unidos com a crise da economia liberal, os dois principais sistemas econômicos e políticos não iam bem, mas não demoraria para que ambos lutassem próximas contra a Alemanha nazista. Após, a Conferência de Teerã reuniu pela primeira vez os líderes Stálin, o inglês Churchill e o presidente norte americano Rossevelt para definir alguns rumos do pós-II Guerra.

Algo parecido com esse encontro foi textualizado. Todos os bichos se reuniram para espiar um jogo de cartas entre Napoleão e outro fazendeiro considerado inimigo em outras épocas. Napoleão adquiriu comportamentos humanos, bebia, fumava, e andava sob duas pernas. O choque foi levado quase de forma normal pelos bichos, não se surpreendiam mais com Napoleão, pois como eles diziam: “Stálin sempre tem razão”.

Conferência de Teerã, 1943. da esq. para dir.: Stálin, Roosevelt e Churchil

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